Proliferam os anúncios imobiliários promovendo a dicotomia campo-cidade.
Viva no campo às portas da Grande cidade podia ser mais um…Na verdade isto espelha bem a vontade de ter um pouco dos dois mundo. Desfrutar da “cosmopolitanidade” que a proximidade à cidade oferece combinada com a oferta de um horizonte com menos betão e mais árvores, um pequeno vislumbrar do
movimento slow actualmente tão em voga para ser praticado ao fim de semana.
Mas quando se ganha a discernidade que a distância oferece, percebe-se com maior facilidade que, de todo, não é possível conjugar os dois mundo, sem que algum prevaleça, ou altere o seu próprio conceito. Porque quando o campo tenta seduzir os citadinos como forma de recuperar vitalidade económica e/ou eleitoral, fá-lo sacrificando aquilo que está na base do sua essência, que é exactamente, para além de um contacto mais estreito com a Natureza, uma certa forma de viver que não tem em conta o que se passa na grande cidade.
Mais uma vez a máxima de Lavoisier que
na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma aplica-se aqui também. Só é pena que a transformação se faça mais à custa das perdas (de usos, tradições, da paisagem enquanto unidade e herança cultural) do que dos ganhos, ainda que os políticos digam o contrário…
PS – Têm vindo a emergir movimentos em prol da preservação da paisagem enquanto resultante da acção do Homem. Estas preocupações convergiram para a criação de diversas associações e conceitos que procuram inverter estas tendências. Um desses conceitos é o da criação de Corredores Verdes. Podem consultar mais informações aqui.
