Desta vez fizemos uma pequena paragem em terras alentejanas para passar uns dias com amigos. E apesar dos anos, os sentimentos de amizade permanecem inalterados, as velhas piadas ditas até à exaustão na adolescência continuam a ter o mesmo eco e agora com tantos anos em cima sabem ainda melhor.
Depois foi o prosseguir viagem ainda mais para sul, até à parte serrana mesmo antes do barrocal algarvio. Lá onde o tempo perdeu as horas e eu me encontro tantas vezes. Foi tempo das caminhadas na praia, dos banhos de sol e de mar, dos almoços no mesmo restaurante de sempre ao fundo da rua, das sestas ao inicio da tarde e dos petiscos ao entardecer, das idas ao cinema, dos passeios a pé até ao café, do carinho familiar celebrado sem cerimónia, das conversas sem fim e até de re-encontros inesperados. De todas aquelas pequenas coisas que aqui não sabem a rotina embora se repitam ao longo dos dias que por aqui passamos, mas a férias no sentido mais relaxado do termo.
Desta vez não vos trago relatos de caminhadas. O tempo esteve muito quente para o fazermos. Não houve caminhadas mas deixo aqui a (re) descoberta de uma praia que para mim é uma das mais belas de Portugal. Com uma língua de areia de vários quilómetros onde a natureza se encontra em estado quase puro, acessível apenas de barco, com águas transparentes e quentes e que conserva ainda um certo carácter familiar presente nas artes de marisqueio que ainda se observam. Um mar de areia pejado de conchas de todos os tamanhos e cores que me fizeram reviver as memórias de menina em que chegava a casa com o balde da praia apinhado delas. Hoje o balde desapareceu mas as recordações permanecem. Olho para a cesta da fruta, agora cheia das conchas apanhadas há poucos dias e não posso deixar de sorrir…
Há coisas que nunca mudam…
Fotos do Gaijo, Ilha da Armona, Junho de 2008
Volto em breve...

