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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Porque o mundo não acaba amanhã

Na vinda para cá fiz escala em S. Miguel durante umas horas. Nunca havia estado nos Açores e ao saberem que fazia escala lá, várias vezes me disseram para aproveitar para conhecer a ilha durante as horas que ia ficar à espera de ligação. Na verdade nem sequer saí do aeroporto.

Perguntam vocês porquê. Porque para mim conhecer um lugar não é apenas ir aos sítios turísticos, comprar souvenirs, tirar as fotografias da praxe e dizer “estive aqui”. Claro que há locais que, pela sua beleza e importância, merecem ser visitados. Com tempo. Com calma. Pausadamente, que para correrias já basta a azáfama do dia-a-dia.

Prefiro muito mais observar as pessoas no seu quotidiano, que é certamente diferente do meu, ouvi-las falar entre si, colher fragrâncias e aromas que me são desconhecidos, captar pequenos detalhes que seguramente escapam a um olhar apressado, pertencer durante algum tempo àquele lugar, senti-lo um pouco meu também. É assim que eu gosto de experienciar os locais. É assim que eu prefiro senti-los.

Por isso ainda não conheço S. Miguel. Não quis passar pela ilha à pressa. Com o tempo contado e a olhar para o relógio (que também propositadamente não tenho). Acho que S. Miguel tem muito mais para oferecer. Merece por isso muito mais tempo do que aquele que dispunha. Ficará para outra oportunidade…

sábado, 18 de outubro de 2008

Desafios

- Como enfiar numa única mala todos os artigos que eu julgo serem indispensáveis à minha sobrevivência durante um mês?
- Deixar a casa organizada para que o caos apenas comece daqui por 15 dias? (como eu gostava de ser mosquinha…)
- Desencantar uma fatiota toda “naice” para o casamento de amanhã (aquele que pensávamos já não ir por já estarmos “lá”) quando a balança insiste em passar das marcas e inutilizar os trajes casamenteiros do passado.
- Não ir directamente do casamento para o aeroporto (parece fácil, não é? Pois... quando se junta despedidas com ambientes festivos e boa companhia...)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Indo eu, indo eu...

… a caminho dos Açores. Por aqui ultimam-se os derradeiros preparativos para a viagem. Vai ser um mês longe de todos (e ainda não sei se deste cantinho também) e na companhia de mim mesma.
Se passarem por Santa Maria e virem uma maganita, não se admirem!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Férias parte I - Fuerteventura

Não é fácil gostar de Fuerteventura. O primeiro impacto é de facto “fuerte”, termo aliás que faz parte integrante do vocabulário desta ilha. Aqui só sobreviveram os mais fortes, os que não se deixaram abater pelo inóspito, que venceram a aridez de uma terra que pouco dá mas com muito para oferecer. À primeira vista tudo parece desolador. A paisagem é desértica, a cor predominante é o castanho, na sua multiplicidade de tons: do castanho ocre das vertentes mordidas pela erosão ao castanho quase negro, a relembrar sempre a sua origem intempestiva, vulcânica, agreste. A vegetação é escassa, praticamente inexistente, e a que brota de forma espontânea empresta os seus tons glaucos à paisagem monocromática de castanho. E no entanto, no meio deste ambiente hostil, eis que ao segundo olhar se descobre vida escondida que a amiúde ocupa este espaço: coelhos, esquilos, lagartos, cabras, burros. Os esquilos já perceberam o potencial que o turista representa na sua alimentação. São por isso presença frequente nos pontos onde é fácil promover este contacto: junto aos barrancos, em pontos de passagem entre praias ou em miradouros. As cabras pastam livremente pelos campos demarcados apenas com redes junto às estradas. Têm uma ilha por sua conta e fazem jus à sua identidade “fuerte”. Aqui e ali surgem por vezes pequenos oásis de vegetação, no seu sentido mais literal. A agrura do clima é de tal forma que apenas nos barrancos, esses grandes sulcos que as águas das chuvas entalham pelas vertentes fora, ocorrem de forma espontânea. Esta foi, para mim, a impressão mais marcante desta ilha: é impossível ficar indiferente a este ambiente tão inóspito.

Dois outros aspectos merecem alvo de destaque: as praias e o vento. O vento é presença constante e omnipresente. Sempre o foi. Em toda a ilha existem diversos moinhos que testemunham as primeiras tentativas de povoamento, sobretudo no interior da ilha onde a pouca população existente fixava residência devido às ameaças de piratas e corsários que historicamente aqui aportavam com alguma frequência.

E é claro que não poderia deixar de referir as belíssimas praias: desde os extensos areais da Jandia no sul ao semblante dunar de Corralejo no norte, onde a areia insiste em cruzar a estrada a seu belo prazer, em danças deslizantes ao sabor do vento. Sem esquecer a beleza das enseadas negras em claro contraste com o azul-turquesa que se vislumbra no mar. Guardo a saborosa recordação dos longos passeios durante a maré vazia em que passámos de praia em praia, sempre divididos entre o ficar e ceder à ânsia de conhecer a praia seguinte.

Fuerteventura é um daqueles sítios em que não se consegue fica alheio. Goste-se ou não. É por isso um local de impressões “fuertes”, que marcam e não se esquecem, diferente de tudo aquilo já conhecia. E que não irei esquecer…



Fotos de Maganita e Gaijo, Fuerteventura, Junho de 2008

sexta-feira, 30 de maio de 2008

De partida

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas...
Que já têm a forma do nosso corpo...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares...

Fernando Pessoa

Vou…mas volto!

PS – Vou para a ilha dos ventos fortes e das praias com sabor a deserto: Fuerteventura.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Férias – Parte I

Tenho uma amiga que me diz: Mas tu estás sempre de férias!
Na realidade tenho apenas 2 períodos de férias mas são sempre tão festejados/ansiados/relembrados/vividos que nunca ninguém acredita que vou apenas uma ou duas vezes de férias no ano. Independentemente do sítio, faço sempre uma grande festa à volta dos preparativos.

Este ano não foi fácil decidir para onde ir. Ou qual a vertente a privilegiar. Mas após várias semanas de aturada e salutar discussão de ideias à medida da bolsa, resolvemos levar a indecisão connosco e fazer férias tripartidas, já que vão ser 3 semanas (uma maluqueira!). Deixo por agora apenas o cheirinho da primeira parte. Vejam lá se adivinham?

Clima: subtropical árido
Temperatura min:19º
Temperatura max:26º
Temperatura da água do mar: não consegui saber, mas isso agora não interessa nada!
Actividades que espero fazer: papo para o ar (q.b), caminhadas (muitas!), fotografia (a paisagem afasta-se por completo dos padrões tradicionais de beleza, sendo precisamente isso que me levou a considerar este um destino de férias), fazer alguma praia (algumas chegam a ter mais de 10 kms!) e muitas leituras.

Para onde vou eu?

domingo, 18 de maio de 2008

A melhor altura do ano

É quando me desprendo das urgências do quotidiano e me embrenho na busca de um destino que resulte do encontro entre as possibilidades da carteira e aquilo que gostaria de fazer durante as férias.

Ao longo do tempo, em particular nos últimos anos, fui ganhando vontade de fugir ao simples “papo para o ar” e embora me saiba bem passar uns dias em que a decisão mais difícil se resuma a qual o bikini que vou usar, a verdade é que actualmente as férias têm de combinar o dolce faire niente com uma vertente mais activa, de preferência à base de caminhadas.

Este ano foi particularmente difícil a escolha. Primeiro porque o orçamento familiar para as férias sofreu uma redução dramática (neste aspecto tenho de agradecer em especial aos senhores da Galp e companhias Lda. pela fatia cada vez maior do meu ordenado que atenciosamente lhes deixo todas as semanas, bem como ao facto de ter passado praticamente o último ano a fazer tratamentos e com a inevitável falta de liquidez daqui resultante). Em segundo lugar porque tentar encontrar programas de férias em Junho não é pêra doce. Destinos que me enchem as medidas (e esvaziam a carteira) são nesta altura inacessíveis. Não há voos charter, as lows cost não voam para lá e ir pelas linhas regulares é impensável.

Desta forma a solução apresentou-se de forma segmentada e por etapas. Vamos tentar combinar o melhor que cada sitio tem para oferecer e vai haver lugar para o 8 e o 80, para a praia e para a montanha, para o dolce faire niente e a caminhada, para o hotel e para a tenda. Acho que diversidade vai ser a palavra de ordem para as próximas férias e o melhor é que até nem é preciso ir assim para tão longe.

E eu já ando a contar os dias…

domingo, 13 de janeiro de 2008

Domingo de Inverno

O tempo está feio. O vento uiva ao passar por debaixo da persiana fechada. As luzes lá fora estão acesas, apesar de ser meio da tarde. A estrada está molhada e as goteiras pingam copiosamente. Apetece-me enroscar debaixo de uma manta e começar a ler um livro. Até já o tenho seleccionado e está em destaque sobre a mesa da sala, como que a lembrar-me desse velho compromisso assumido há já algumas largas semanas.
No entanto aqui estou, presa ao teclado. Apetece-me libertar pensamentos em vez de beber os dos outros. Como que a degustar o prazer de ter todas as tarefas feitas e ser dona do meu tempo. Por inteiro. Sem pausas ou interrupções.
Bom, na verdade ainda tenho algumas por fazer, mas não me apetece. E estava a falar do tempo. E este tempo melancólico fez-me remeter para outras épocas, outras distracções, outras viagens. Espaços de tempo em que me evadi da minha realidade, do meu quotidiano, em que contactei com outras formas de estar e de viver. Gostava de poder viajar mais, sair mais desta rotina. Mas enquanto não o posso fazer, vou aproveitando estas tardes de Inverno em que sou dona do tempo para me evadir por aqueles sítios onde já estive e durante algum tempo fiz parte dessa mesma paisagem.
Como aqui, num outro Domingo distante…

(Em Furka, Suiça, Abril de 2004)

sábado, 2 de junho de 2007

De regresso...

…de uma volta ao mundo em 5 dias.
Foram tantas as culturas, os sons, as formas de estar e de sentir, de conversar, de viver…
Por estes dias deixei-me transportar até Roma e Nápoles onde ganhei uma nova afinidade sob a forma de empatia.
Aprendi a escrever o meu nome em árabe e fiquei impressionada com a simplicidade muçulmana.
Descobri que as chamuças portuguesas são muito apreciadas pela boca de um sul-africano que se deixou encantar pelo nosso Alentejo há 20 anos atrás (Sines, do you know? perguntava-me ele)
Fiquei intrigada com o humor russo: tão depressa estão a falar a sério, como a brincar e perceber a diferença não foi fácil…desconfio mesmo que não cheguei a descobrir…Mas deixei-me levar até S.Petersburgo numa visita guiada pela sua atmosfera…
E fiquei rendida à educação e sentido de humor dos canadianos. Viajei por Toronto e Otawa, pelas noites frias do Inverno aos dias descalços de Verão…
Tudo isto sem sair de Madrid… Uma cidade que gostei de descobrir e que me surpreendeu. Madrid das Tapas na Plaza de Santana e dos passeios no Parque do Retiro, da agitação permanente da Gran Via e do Flamenco dançado de forma arrebatadora…Não tive tempo para visitar museus ou exposições, mas guardo a intenção de voltar um dia com mais tempo.
Foram dias de muito trabalho e empenho, mas de tal forma bem vividos que vão ficar comigo para sempre…


(Viajei por…Espanha (Francisca, Quique, Jesus), Itália (Vera, Nicoletta), Rússia (Alexandrov, Olga), República Checa, Polónia (Slawomir), Holanda, Noruega (Nils), Canadá (Brad, Jeff, Fraser), Africa do Sul, Arábia Saudita (Nasr), Dubai (Jehad), Taiwan (Ann)