Acordo 5 minutos antes do despertador. A chuva cai intensamente e o vento empurra-a violentamente contra as persianas. Enrosco-me durante mais uns momentos até que tomo coragem e resolvo levantar-me. Tento acender a luz da mesinha de cabeceira, mas já desde madrugada que não há. A solução é ir tomar banho à luz das velas. Romântico, não? Ainda puxo pelo gaijo mas este dá mais uma volta na cama.
Vou até á cozinha e descubro o meu coelho completamente em pânico com a trovoada que começa a fazer-se sentir com intensidade. Entre umas afagadelas nas orelhas felpudas, tento ligar o gás. Vá lá. Consegui à 15ª tentativa (esquentadores com personalidade é assim).
Antecipando o imenso trânsito que se faz acompanhar com chuva, despachamo-nos mais cedo e saímos cerca de meia hora antes do previsto, cerca das 7h35m. Deve chegar, penso eu…pois…
Entramos na auto-estrada. Circula-se bem apesar dos acidentes, mas ainda não são 8h da manhã. Ao longe os faróis vermelhos indicam paragem a 1 km da nossa saída. Mau! 8h30m e continuamos antes da portagem de saída. 9h00 deixo finalmente o gaijo junto ao trabalho e resolvo ganhar coragem para enfrentar o trânsito. Chegam as primeiras notícias de cortes de estradas. Em volta, as lezírias encontram-se completamente encharcadas como à muito não as via. Depois de 2 dedos de conversa com ele e uma colega, resolvo fazer-me à estrada. Tento primeiro seguir o caminho mais directo. Depois de 20 minutos parada, avisto ao longe o policia que, já em desespero gesticula com quem passa avisando que a estrada está cortada mais à frente e o trânsito não pode seguir por ali. Dou meia-volta e resolvo seguir pelo plano B, um caminho mais longo mas uma solução para chegar à grande cidade. Depois de mais uma eternidade parada, (bom parada, não, afinal andei 2 metros desde que fiquei imobilizada), descubro que de momento aquele é o único acesso à capital de quem vem dos meus lados. O relógio marca 10h. Faço novamente inversão de marcha e resolvo ir cravar o pequeno-almoço ao gaijo. Sim, que isto de fazer de chauffeur tem custos. Enquanto tento chegar novamente junto dele vou passando por um cenário surreal. As estradas estão praticamente desertas, não se vê carros a circular. Vim depois a saber que apenas 2 acessos nesta pequena terrinha estavam transitáveis. O resto ou estava preso em corte de estrada ou estava caminho do meu plano B. Depois da fome consolada, pondero e decido tentar mais uma vez passar. São 11h. O trânsito finalmente começa a escoar, embora lentamente. Pela janela vou vendo um cenário já esquecido na minha memória. Carros submersos, água pela altura dos sinais de trânsito. A auto-estrada, que nestas alturas faz de dique natural está a apenas 1 metro sobre as águas e as pessoas amontoam-se sobre a ponte a alvitrar quando é que o rio vai submergir a auto-estrada. No entanto está tudo calmo, como se as pessoas soubessem o que as espera. E têm obrigação disso, afinal sempre houve aqui cheias, das quais as de 67 (ontem tão faladas no programa da Maria Elisa) foram as mais trágicas. Vou passando e recordando outros episódios de outras cheias…mas isso fica para outro post. São 11h45 e cheguei finalmente ao meu trabalho. O telemóvel até então sem bateria começa a funcionar ruidosamente. Sim, estou bem, cheguei bem, não houve problemas de maior. É segunda-feira e eu já estou cansada…
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
domingo, 13 de janeiro de 2008
Domingo de Inverno
O tempo está feio. O vento uiva ao passar por debaixo da persiana fechada. As luzes lá fora estão acesas, apesar de ser meio da tarde. A estrada está molhada e as goteiras pingam copiosamente. Apetece-me enroscar debaixo de uma manta e começar a ler um livro. Até já o tenho seleccionado e está em destaque sobre a mesa da sala, como que a lembrar-me desse velho compromisso assumido há já algumas largas semanas.
No entanto aqui estou, presa ao teclado. Apetece-me libertar pensamentos em vez de beber os dos outros. Como que a degustar o prazer de ter todas as tarefas feitas e ser dona do meu tempo. Por inteiro. Sem pausas ou interrupções.
Bom, na verdade ainda tenho algumas por fazer, mas não me apetece. E estava a falar do tempo. E este tempo melancólico fez-me remeter para outras épocas, outras distracções, outras viagens. Espaços de tempo em que me evadi da minha realidade, do meu quotidiano, em que contactei com outras formas de estar e de viver. Gostava de poder viajar mais, sair mais desta rotina. Mas enquanto não o posso fazer, vou aproveitando estas tardes de Inverno em que sou dona do tempo para me evadir por aqueles sítios onde já estive e durante algum tempo fiz parte dessa mesma paisagem.
Como aqui, num outro Domingo distante…
No entanto aqui estou, presa ao teclado. Apetece-me libertar pensamentos em vez de beber os dos outros. Como que a degustar o prazer de ter todas as tarefas feitas e ser dona do meu tempo. Por inteiro. Sem pausas ou interrupções.
Bom, na verdade ainda tenho algumas por fazer, mas não me apetece. E estava a falar do tempo. E este tempo melancólico fez-me remeter para outras épocas, outras distracções, outras viagens. Espaços de tempo em que me evadi da minha realidade, do meu quotidiano, em que contactei com outras formas de estar e de viver. Gostava de poder viajar mais, sair mais desta rotina. Mas enquanto não o posso fazer, vou aproveitando estas tardes de Inverno em que sou dona do tempo para me evadir por aqueles sítios onde já estive e durante algum tempo fiz parte dessa mesma paisagem.
Como aqui, num outro Domingo distante…
(Em Furka, Suiça, Abril de 2004)
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