sábado, 17 de novembro de 2007

Desejos de longa data

Por aqui anda-se à volta dos livros, sebentas e legislação.
Se por um lado mantenho a frieza quanto à aproximação do dia, por outro já vou sentindo o peso da coisa em si. Este vai ser o fechar de um ciclo na minha vida, já que vai ser a última tentativa que faço nesta área. Mas estranhamente, sinto-me tranquila.
Porque sei que, seja qual for o resultado, vou sair deste impasse e isso transmite-me algum conforto interior.
Desde que terminei a faculdade que ambiciono ir para esta área. Tentei muitas vezes, fiquei por mais de uma vez à porta, numa delas demasiado flagrantemente.
Aprendi da forma mais difícil que muitas vezes não basta ter a melhor nota pois outros “conhecimentos” falam mais alto. Custou-me muito a digerir essa situação, a aprender que nem tudo depende efectivamente do nosso esforço ou dedicação, crença ou forma positivista de pensar nas coisas. Passados todos estes anos sinto que vai sendo tempo de me dedicar a outras perspectivas profissionais e embora em universos diferentes, essa experiência deu-me algum “estofo” para a outra luta, a luta da infertilidade.
A diferença é que se me sinto pronta para aceitar o resultado que vier da primeira, já quanto à segunda sei que não irei baixar os braços.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Alerta à navegação

O aviso de temporal e agitação maritima ontem manifestado foi cancelado.

Fontes próximas anunciaram que o tal “senhor” desaparecido já foi encontrado e que os próximos tempos, embora de pressões altas devido á proximidade da prestação de provas, são favoráveis à ocorrência de anticiclones, com continuação de bom tempo embora com temperaturas altas para a época.

A entidade emissora deste boletim avisa também que os prognósticos quanto à ocorrência de ventos favoráveis a uma mudança de rumo profissional apenas vão sofrer desenvolvimentos a partir de dia 20, o dia D.

E obrigada pelos incentivos que tenho recebido.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Nervoso miudinho

Fui finalmente chamada a prestar provas (lembram-se?).
Fiquei com aquela sensação esquisita na barriga, aquele nervoso miudinho. Olhei para o calendário e pensei que iria calhar no meio do próximo tratamento. Contas de cabeça para aqui, conta dias para ali…em cheio na altura das ecos. Andei a matutar como havia de me desdobrar em duas e fazer as centenas de quilómetros que me separavam entre as duas coisas com o menor dano possível…mas nem precisava de me ter ralado tanto. É que o “outro” não dá as caras…se não tivesse tido de cancelar o tratamento anterior estes seriam dias de expectativa, dias para sonhar, mas assim sendo... resta-me agradecer-lhe quando o "senhor" se dignar a aparecer, por ter tido a gentileza de me desamparar a loja numa altura critica e assim me deixar fazer as provas concentrada apenas nisso.
Ah...mas faça o obséquio de voltar, sim? É que já comprei a medicação e queria dar-lhe uso, pode ser? se não lhe der muita maçada, claro! Muito agradecida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pensamentos soltos

Faz sentido viver a vida sem sentido? Claramente que não.
Faz sentido procurar um sentido para ela? Sim, sem dúvida.
Faz sentido vivê-la de acordo com esse sentido que se lhe dá? Até que ponto temos nós a clara noção do sentido a tomar? E quando nos sentimos refém desse sentido, como mudar o sentido da vida sem que dela percamos o norte? Adequar a nossa vivência em função do que vamos obtendo é para mim talvez a melhor solução, resguarda-me dos dissabores de não conseguir atingir algumas das metas que estabeleci, mas ao rodar o sentido da minha vida em função daquilo que vou conseguindo saborear, embora reconfortante, deixa-me ainda um certo travo amargo na boca.

Tenho pensado bastante acerca de como viver sem pensar muito nesta parte da minha vida. Como vivê-la sem pensar recorrentemente como será o meu futuro, ou de um futuro apenas a dois, e confesso que me é algo que o faço com alguma dificuldade. Dir-me-ão és nova, tens tanto tempo ainda… eu sei disso, mas isso não torna a minha vivência necessariamente mais preenchida, por muito que a tente recheá-la de bons momentos. Nem me acalma o desassossego que por vezes me morde. Sinto ainda assim que lido melhor com esta incerteza do que o fazia há algum tempo atrás.
Falta-me agora aprender a fazê-lo de forma mais leve e solta…e eis que volto ao sentido da vida.

domingo, 4 de novembro de 2007

Carpe Diem

Um dia que vale a pena...

É aquele que, antecipando-se ao despertador, começa com uma conversa entre almofadas e cobertores, espantando calmamente a preguiça.

É aquele em que tomamos o pequeno-almoço na companhia de alguns amigos.

É aquele em que somos presenteados com uma manhã plena de luz, sons e cor. Aqui e ali uma vista magnifica irrompe a arriba e a costa se revela em todo o seu esplendor. Da Cova do Vapor ao Cabo Espichel, tudo o que a vista alcança é guardado na memória, tendo por moldura um belíssimo passeio matinal por trilhos até então desconhecidos para mim.

É aquele em que me sinto em casa, numa casa que não é a minha e me delicio com um almoço improvisado temperado com muita simpatia.

É aquele em que recebo carícias do sol, numa esplanada à beira-mar, troco ideias, bebo conversas e colho bons momentos.

É aquele em que ao regresso o sol ilumina de laranja apenas os prédios mais altos da capital enquanto me despeço da outra margem, uma margem que durante muitos anos neguei afecto ou interesse, mas que cada vez mais faz parte da minha vida em muitas das suas vertentes.

É aquele em que finalmente me enrosco no sofá com a sensação de ter tido um belo dia, um dia que apaga a ausência daquilo que persigo e que ainda não alcancei.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O Outono

Gosto de todas as estações do ano, mas esta sempre teve um quê de especial para mim.
Talvez por ser a estação em que nasci.
Talvez porque para se gostar dela é necessário ultrapassar o desalento inicial que a partida do Verão provoca.

Mas se sempre gostei de ambiente do Outono, nos últimos anos faço questão de saudar a sua chegada de alguma forma. Este ano ainda não o fiz simplesmente porque ainda não me sinto no Outono. Mas já anseio por ele e por tudo o que ele representa.

As romãs descascadas e polvilhadas de açúcar.
O cheiro das maçãs assadas com canela invadindo o ambiente de um Domingo farrusco
Saborear castanhas ainda a fumegar quando saio à noitinha do trabalho.
Acender a lareira e enroscar-me placidamente a ler um livro.
O prazer de convidar um grupo de amigos e preparar um lanche com todas as iguarias da época, onde se troquem impressões sobre tudo e sobre nada.
Ir à terra dos avós provar a jeropiga e água-pé, sentir o frio da serra a passar rente às orelhas e aconchegar casaco ao corpo.
Contemplar a miríade de tons de castanho que a natureza nos presenteia nesta altura.
Da dança das folhas, ao cheiro das pinhas a crepitar.

Mas como qualquer coisa que se anseia e que ainda não se tem, mas tendo a certeza de a vir ainda a ter, vou dedicar os próximos tempos a degustar os prazeres que esta altura do ano desperta em mim.
Votos de Bom Outono

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Em terra



Desta vez fiquei por aqui…Nem cheguei a estender as asas.
Mais uma vez o excesso de carga iria tornar este voo demasiado perigoso. Mas a paciência é uma virtude que também se cultiva e eu já ando a adubar a terra…
Outros voos virão…