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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Palavras

É na simplicidade das palavras se lê a essência do ser...
Se pudesses ser uma palavra qual serias?
O alfabeto…com ele construo o resto…

E vocês?

(foto de Fernando C em www.olhares.com)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Em arrumações


Há já algum tempo que ando a arrumar os assuntos pendentes nas prateleiras certas. Não tem sido fácil. Às vezes ainda me custa relembrar porque é difícil dizer adeus a algo que se desejou durante tanto tempo. A minha ambição profissional está a pouco e pouco a direccionar-se noutras direcções e ao fazê-lo permite-me deixar espaço para encarar a vida de outra forma.

Penso que talvez o meu percurso no reino da infertilidade siga eventualmente um percurso semelhante, embora num futuro ainda distante, já que tenciono lutar durante muito mais tempo.
Contudo, este arrumar de ideias teve o condão de me apaziguar com a vida, acalmou a revolta contida e o sentimento de injustiça que tanto tempo me acompanhou… e consumiu…

Talvez só agora esteja efectivamente melhor preparada esta outra batalha da minha vida…
(Foto de Teresa Serra em www.olhares.com)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Adeus 2007

Tentei chegar à Lua e segurar um pedacinho do céu
Sonhei e cai

Levantei-me e voei
Também baixei as asas e também me escondi

Tentei agarrar o futuro com as minhas mãos.
Fui à luta e perdi…

Questionei, ri e chorei, vivi
Colhi afectos e palavras
Dei muito e muito recebi

Numa única palavra: cresci.
Como mulher.
Como pessoa.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Quando dizemos o que os outros não gostariam de ouvir

Abri o coração. Falei com toda a sinceridade. Se alguém nos faz sentir merecedora das suas maiores confidências merece ouvir de nós aquilo que genuinamente pensamos. Essa é provavelmente a maior prova de amizade que podemos oferecer a alguém.
Mas depois…depois fica sempre aquela sensação algo incómoda de saber que os outros vão meditar acerca do que dissemos e pensámos, sobretudo quando o que dissemos e pensámos não são exactamente o que mais gostariam de ouvir…

Porque não é fácil dizer que achamos que o caminho tomado foi um atalho com consequências duvidosas. Porque acho que essa pessoa é tão especial que merece que lutem por ela como nunca o haviam feito… porque, embora seja mais fácil regressar ao conforto do que já se teve sem ter reconstruído de forma sólida os alicerces de uma relação, esse é o também o primeiro passo para regressar novamente ao passado, esse passado que abriu feridas profundas, num futuro muito próximo.

Mas fui sincera, na convicção que não seria uma boa amiga se não fosse assim. Porque não sou capaz de anuir apenas porque é mais fácil....Mas sobretudo porque gostaria que, se fosse comigo, ela tivesse essa atitude também: de oferecer sinceridade.

sábado, 24 de novembro de 2007

A provincia e eu

Não tendo sido propriamente uma menina da cidade, estava ainda mais longe de ser uma do campo. Sempre gostei de sentir a proximidade ao grande centro urbano e de todas as ofertas culturais, gastronómicas e de lazer que ele oferece. Contudo, e olhando para as oportunidades que tenho aproveitado, eu diria que estão muito aquém do que poderia aproveitar, ocorrendo apenas de lés a lés.

A província, pelo contrário tem vindo a ocupar um lugar sucessivamente maior na fatia da minha vida que lhe dedico. Não só porque moro actualmente numa povoação de província onde ainda existe familiaridade no trato e onde cada vez desenvolvo mais actividades que me dão muito prazer, como trabalho num local com características semelhantes, longe da confusão da grande cidade e do ritmo frenético que ela impõe. Todavia, quer numa vertente como noutra foram opções que tomei já na idade adulta. A primeira por questões sobretudo económicas e a segunda porque a oportunidade de trabalho se me apresentava vantajosa do ponto de vista da progressão profissional, não tendo propriamente considerado a sua localização na tomada de decisão.

No último ano, por razões várias, dou por mim a frequentar outra vez a grande cidade nas horas de maior agitação. Fruto das acções de formação primeiro e mais recentemente com os tratamentos, dou por mim a fazer parte dessa imensa amálgama de pessoas que cruzam as avenidas, sempre a correr ao som do semáforo que ameaça ficar verde para os carros, ou a desesperar por um lugar para estacionar, ou a comer qualquer coisa em pé porque não há lugares sentados e a urgência dos compromissos assim o exige.
E enquanto espero na passadeira que o sinal abra para mim, dou por mim a pensar que já não faço parte dessa massa compacta de pessoas que vive a grande cidade, que já seria difícil voltar a essa impessoalidade citadina da qual fui parte também durante tanto tempo.

Somos criaturas de hábitos, uns que se adquirem outros, outros que se cultivam…mas olhando agora à distância sinto-me mais confortável no meu mundo da província, ainda que precise por vezes de respirar a atmosfera da cidade.

A menina da cidade está cada vez mais menina do campo…
…menos menina também. É que hoje sou pequenina e acrescento mais um ano à minha história de vida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pensamentos soltos

Faz sentido viver a vida sem sentido? Claramente que não.
Faz sentido procurar um sentido para ela? Sim, sem dúvida.
Faz sentido vivê-la de acordo com esse sentido que se lhe dá? Até que ponto temos nós a clara noção do sentido a tomar? E quando nos sentimos refém desse sentido, como mudar o sentido da vida sem que dela percamos o norte? Adequar a nossa vivência em função do que vamos obtendo é para mim talvez a melhor solução, resguarda-me dos dissabores de não conseguir atingir algumas das metas que estabeleci, mas ao rodar o sentido da minha vida em função daquilo que vou conseguindo saborear, embora reconfortante, deixa-me ainda um certo travo amargo na boca.

Tenho pensado bastante acerca de como viver sem pensar muito nesta parte da minha vida. Como vivê-la sem pensar recorrentemente como será o meu futuro, ou de um futuro apenas a dois, e confesso que me é algo que o faço com alguma dificuldade. Dir-me-ão és nova, tens tanto tempo ainda… eu sei disso, mas isso não torna a minha vivência necessariamente mais preenchida, por muito que a tente recheá-la de bons momentos. Nem me acalma o desassossego que por vezes me morde. Sinto ainda assim que lido melhor com esta incerteza do que o fazia há algum tempo atrás.
Falta-me agora aprender a fazê-lo de forma mais leve e solta…e eis que volto ao sentido da vida.