Regressei de uma pausa das rotinas de sempre. Perdi o rasto ao tempo e às obrigações. Alimentei a alma com momentos que me pertenceram por inteiro. Revivi memórias e afectos. Conheci recantos nos quais a magia do lugar ficará para sempre gravada em mim. Porque em cada lugar por onde passamos deixamos um pouco de nós. E cada lugar com o qual nos identificamos nos pertence um pouco também…
Aqui fica um pouco deste itinerário de férias, o qual foi sendo desenhado ao sabor do improviso dos desejos, dos momentos, sem bússola nem mapa…
Barragem de Santa Clara
“Procuremos somente a beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa…”
As palavras de Eugénio de Castro traduzem na perfeição o que me ia na alma enquanto me
deixava embalar pela a calma envolvente
foto de Maganita
Na rota dos Menires
Às vezes julgo que conheço determinado lugar como a palma da mão para depois ser surpreendida por algo desconhecido. Tantas vezes passamos pelos mesmo sítios de sempre, sem reparar naqueles pequenos pormenores, detalhes, que fazem desses lugares espaços únicos, diferentes de tudo o resto…
Foto do gaijo
Ribeira de Odeleite
Um percurso pedestre mal marcado que nos conduziu até este recanto perdido no meio da serra algarvia. Ali simplesmente havia o som da água que passa…e nós ficamos a ouvir e a sentir o que a água dizia…
Foto do gaijo
Algures no Litoral Alentejano
A estrada era nossa somente. Aqui e ali, de tempos a tempos, um ou outro carro se cruzava com connosco. A conversa fluía solta e leve, despreocupada…Sem me dizeres porquê paraste subitamente o carro e roubaste-me um beijo. Tinha o doce sabor dos sonhos…
Fecho os olhos e ainda o sinto…
Monte Costa
Ali sinto-me perto de ti. Sei que foste feliz ali, e por o saber, tantas vezes quis lá voltar. Era como encontrar outra vez um pedacinho de ti, matar um pouco da saudade que sinto. Mas o caminho que há 20 anos atrás me mostraste já não existe e na ausência de informação sobre como lá chegar fui adiando as tentativas.
Até agora.Consegui lá voltar. Andámos muitas horas, sem mapa, sem indicações, subimos muitas ladeiras, descemos barrancos, retemperamos forças em bicas de água, mas conseguimos! E eu senti-me reconfortada. Ali foste feliz…e eu também.

Foto do gaijo