domingo, 23 de novembro de 2008

Curtíssimas

Em paz. Comigo.
De regresso. Temporário.
Feliz. Novamente.

sábado, 1 de novembro de 2008

Dias marienses #2

Os dias continuam a passar devagar. Apesar da sua cadência lenta, vou rasgando os dias do calendário e quando olho, constato que já estou quase a meio desta etapa. Quase.
As saudades começam a fazer-se sentir com mais intensidade. As novidades já não são novidades. A mudança de rotina transformou-se agora na própria rotina. E o tempo continua a passar devagar…

Saudade...Saudade...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Porque o mundo não acaba amanhã

Na vinda para cá fiz escala em S. Miguel durante umas horas. Nunca havia estado nos Açores e ao saberem que fazia escala lá, várias vezes me disseram para aproveitar para conhecer a ilha durante as horas que ia ficar à espera de ligação. Na verdade nem sequer saí do aeroporto.

Perguntam vocês porquê. Porque para mim conhecer um lugar não é apenas ir aos sítios turísticos, comprar souvenirs, tirar as fotografias da praxe e dizer “estive aqui”. Claro que há locais que, pela sua beleza e importância, merecem ser visitados. Com tempo. Com calma. Pausadamente, que para correrias já basta a azáfama do dia-a-dia.

Prefiro muito mais observar as pessoas no seu quotidiano, que é certamente diferente do meu, ouvi-las falar entre si, colher fragrâncias e aromas que me são desconhecidos, captar pequenos detalhes que seguramente escapam a um olhar apressado, pertencer durante algum tempo àquele lugar, senti-lo um pouco meu também. É assim que eu gosto de experienciar os locais. É assim que eu prefiro senti-los.

Por isso ainda não conheço S. Miguel. Não quis passar pela ilha à pressa. Com o tempo contado e a olhar para o relógio (que também propositadamente não tenho). Acho que S. Miguel tem muito mais para oferecer. Merece por isso muito mais tempo do que aquele que dispunha. Ficará para outra oportunidade…

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ò pá...

Foi só pedir para me mandarem o belo do biquini e a bela da toalhita de praia para o tempo mudar e ter o Outono instalado neste pequeno ponto no meio do Atlântico plantado.
Que mania de ser do contra!
Francamente...não havia necessidade...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dias marienses

Os dias demoram a passar. Ainda assim eu diria que passam mais rápido do que havia imaginado. Talvez porque já vinha a contar com isso. Volto a descobrir que afinal ainda possuo alguma réstia de paciência. A ver vamos se é assim até ao fim.

No fim-de-semana fui descobrir a ilha. Apesar da falta de companhia devo dizer que a experiência não foi má de todo. Demorei o tempo que me apeteceu e acabei por só regressar ao hotel à tardinha. Esta ilha é menos verde que eu imaginava mas ainda assim muito bonita. O clima é mais seco do que nas restantes e por isso não é de estranhar a existência de vinhas (quem diria!).

Ontem, contudo o clima temperamental dos Açores resolveu fazer-se notar e apesar de preparar a mochila para fazer um pedestre acabei por adiar. Prefiro fazê-lo com melhores condições climatéricas e picnicar pelo caminho. Sim, que gaija que é gaija não gosta de andar no meio da lama, sobretudo se tiver a roupa à conta para a estadia. Outros fins-de-semana virão.

Vamos às soltas:
- Tenho de andar sempre com dinheiro trocado. Os multibancos nem sempre funcionam, apesar de existirem, e mesmo notas de 20€ não são fáceis de trocar. No sábado não consegui pagar o almoço. Resultado, ontem voltei a almoçar no mesmo sítio para pagar a despesa do dia anterior (o que vale é que eu sou uma “messinha” honesta).

-as estradas são muito estreitas. Faz-me um bocado de confusão conduzir aqui. Na maior parte delas mal cabem dois carros e depois é só curvas e contracurvas à semelhança das estradas de montanha. Às vezes vejo algo que me apetece fotografar mas não há sítio para parar e apesar de o trânsito ser praticamente nulo, há sempre alguém atrás de mim nessas alturas.

- o azul das águas é de uma tonalidade impressionante. É um azul profundo, intenso, penetrante. Não encontro paralelo em nenhum outro sítio por onde tenha estado.

- É uma pena a existência de tanto lixo nas ruas, nas baias, nas bermas das estradas… denota uma falta de cuidado e civismo que não esperava encontrar.

- No sotaque o que mais me chama a atenção é a quase ausência de “i”, passa tudo a “e”. Assim se disser que estou em Santa Marea e que não gosto de conduzer aque, quase que passo por autóctone…ou não...

Aqui ficam algumas fotos deste fim-de-semana.

Baia de S. Lourenço

Maia


Estrada para Pico Alto

Antiga Fábrica da Baleia (Maia)



quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Vamos à Praia?

Quem diria que vinha encontrar uma praia de areia branca aqui? Chama-se simplesmente Praia e foi o meu destino de almoço de hoje. Atendendo ao calor que aqui está e à elevada humidade relativa, definitivamente devia ter trazido biquíni...
A praia de areia branca é natural (não, a areia não veio de Marrocos!), resultando do facto de esta ser a única ilha dos Açores onde ocorreu sedimentação pelo que apesar da sua génese vulcânica é aqui também possível encontrar fósseis.

Diria que hoje é que foi a minha estreia açoriana. A paisagem começa a mudar à medida que me afasto da zona do aeroporto (onde estou a trabalhar e a residir) e caminho para o lado Este da ilha. Pena que por enquanto apenas posso escapar durante a horita de almoço. Esta ilha é como um rebuçado que lentamente se vai degustando. Assim sou eu a descobri-la…devagarinho…


Foto de Maganita (Baia da Praia)

Foto de Maganita (Miradouro da Macela, lado Prainha)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Maganita@Açores

Aqui os dias seguem o seu próprio ritmo, sem pressas, buzinadelas ou impaciência. Tudo demora o tempo que deve demorar. Nem mais, nem menos. Exactamente o tempo necessário.

A paisagem é surpreendente. Já vinha preparada para viver as quatro estações do ano no mesmo dia, não vinha era a contar encontrar uma tão grande diversidade de paisagens. Esperava o verde, mas da janela do meu quarto o que vejo são vastos campos de cor dourada, a denunciar condições de secura que só no sul do país encontram paralelo. É como se os Açores apenas começassem a uns quilómetros de distância, depois do Pico Alto. Ficará para um outro post.

Hoje ao almoço o sol fez-me companhia e resolvi pegar no carro e sair sem destino. Acabei por ir dar a uma pequena baia chamada Baia dos Anjos, onde os únicos sons que se ouviam eram os meus passos. Em redor a paisagem era composta por Aloe Vera que nascem de forma espontânea pelas vertentes acima. Cá em baixo, uma senhora acompanhada pelo seu cão tomava banho numa das muitas piscinas construídas que aproveitam a água do mar. Aproximei-me da água e estava a uma temperatura que desafiava uma friorenta como eu a entrar nela e pela primeira vez dei por mim a pensar que fiz mal em não trazer biquini…

O fim de tarde é dedicado à caminhada e deixo-me surpreender pela normalidade que aqui acontece em câmara lenta, ou se calhar à velocidade certa, eu é que ando demasiado acelerada. Sempre com o mar com companhia. E ás vezes a chuva também… Mas faz parte. Afinal estou nos Açores, apesar de a paisagem envolvente me recordar o Alentejo, numa estranha semelhança que por vezes me ilude.


Fotos de Maganita (Baia dos Anjos, Santa Maria)

Foto de Maganita (algures na estada entre Paul e Anjos)