sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Saudade

Esta noite voltei a ver-te…
O azul cinza dos teus olhos
O teu cabelo grisalho
A pele curtida pelo tempo
A ouvir a tua voz sincera
Senti o conforto das tuas palavras doces
O mesmo amor

Não me consigo lembrar do que me dizias, mas senti-te outra vez tão perto, tão presente, que calculo que me estivesses a dizer para ter paciência…
De manhã, enquanto conduzia, o locutor da rádio anunciava uma chuva de estrelas para esta noite.
Sorri.
Hoje vou voltar a ver-te outra vez…

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Gostos

Gosto de ler as linhas e imaginar as entre linhas
Gosto de perguntar ao tempo de quantos momentos é feito
Gosto de trocar as voltas ao relógio e confundir o cuco
Gosto de descobrir as belezas escondidas das coisas
Gosto de escutar os sons do silêncio e deixar-me surpreender pela sua sinfonia
Gosto do calor dos afectos, das cores dos sonhos, das gargalhadas sinceras como oferendas de amizade
Gosto de sentir que somos um só
Gosto de escrever as páginas do meu livro em branco com textos que me sejam intemporais
Gosto de perder o sentido das coisas quando estas têm demasiado sentido e encontrar-lhes uma lógica irracional que escapa ao primeiro olhar
Gosto do surreal, de colocar os trópicos nos pólos, os meridianos nos paralelos e imaginar os antípodas ao virar da esquina.

Gosto de estar assim…em paz com a vida e com a vida norteada pela esperança…

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Pergunta do dia

Se está calor, porquê chove trabalho a cântaros?

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Escolhas II

Pelo sonho é que vamos
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo sonho é que vamos

Basta a fé no que temos
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos
Basta que a alma dêmos
Com a mesma alegria
Ao que desconhecemos
E ao que é do dia-a-dia

Chegamos? Não chegamos?

Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama

Já decidi. Vou.

(O resultado final vai decerto demorar meses a sair. Como já devem ter suspeitado vou concorrer a um emprego que vai mudar tudo na minha vida. Desejem-me sorte…)


(Foto de Lipas www.olhares.com)


terça-feira, 24 de julho de 2007

Escolhas

Estamos condenados a optar…o problema é que ao optarmos, todas as restantes opções desaparecem no momento em que escolhemos uma determinada opção. É no carácter definitivo das opções que torna o acto de as tomar tão difícil…

Sempre preferi arrepender-me de fazer algo do que me lamentar não o ter feito, assim como encaro cada opção como um acto responsável, pelo que não as tomo levianamente, e quando opto, é na firme convicção que estou a tomar a decisão correcta…
Logo, todo este processo não é necessariamente breve, muito pelo contrário…

Pois…assim ando eu, a pensar na opção que devo tomar. Se a tomar é para seguir em frente até ao fim, arregaçar mangas e debruçar-me a fundo nessa demanda.
O resultado final vai mudar a minha vida completamente (era o que reclamava à uns posts atrás), embora não dependa inteiramente da minha pessoa (tal como a infertilidade, de resto…).

Aguardam-me dias de reflexão…

sábado, 21 de julho de 2007

Onde andas tu, Verão?

Sinto falta do teu calor, do aroma quente dos fins de tarde numa esplanada.
A tua amiga Nortada, ainda que seja companhia habitual no Verão, anda particularmente irrequieta e desafiadora. E as nuvens são uma presença quase constante, e tantas vezes remetem o sol para uma clausura triste.
Anda fazer-nos companhia…afinal já é tempo de perderes a timidez. Mostra as tuas cores, dá largas à tua personalidade… Já tenho saudades tuas…

(Foto do gaijo, Rep. Dominicana, Setembro 2006)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Portulanos

As solas são novas, a bússola orientada, o caminho está traçado.
Sinto que nada do que está para trás importa, pois só agora me sinto verdadeiramente acompanhada, medicamente falando.
Não sei se vamos conseguir já ou num futuro próximo, mas a incerteza apenas refina o sentimento de confiança que sinto. Confiança em nós, confiança no futuro.
Porque independentemente do resultado eu já encontrei a felicidade ao teu lado.
E isso dá-me confiança para encarar as dificuldades sem medo ou receio, esse medo e receio que tantas vezes viste nos meus olhos quando me sentia perdida, sem rumo, angustiada, sem orientação médica adequada…
Sinto-me preparada para a nossa aventura, para escrever o portulano desta viagem…
Em breve iremos levantar âncora.

Que comecem as picas, pois então…