Lembro-me que quando era adolescente gostava de estar sempre em movimento. Sentia que, parar era como que morrer um pouco. Tanta coisa para viver, sentir, cheirar. Quanto mais imagens, sensações e emoções coleccionasse, mais ricos seriam os meus dias, mais preenchida seria a minha vida. Por vezes, à noitinha, madrugada dentro, deixava-me ficar a pensar naquilo que tinha vivido, com uma música calma em pano de fundo, e apenas eu e os meus pensamentos.
Claro que a energia agora já não é a mesma desses tempo, ou melhor, a resistência ao sono é que é menor. Perdi de certa forma o hábito de cultivar esses pequenos momentos a sós comigo mesma. Mas reencontrei-os de algum modo aqui, quando escrevo, longe da pressão do dia a dia. Muito em breve uma outra pequena circunstância da minha vida me vai fazer regressar à adolescência. Vou voltar por uns tempos a frequentar Lisboa ao entardecer, a passar regularmente pelo Chiado (que saudades!!!), e a inserir-me num novo grupo, ainda que por pouco tempo. Para quem a reserva é uma capa para a insegurança, deixar de pisar terreno familiar constitui sempre um desafio à capacidade de integração…um regresso à adolescência…

(foto de Graça www.olhares.com)