sábado, 13 de setembro de 2008
É pena
É desejável que evoluam, que acompanhem a mudanças dos tempos e da personalidade. Mas não são eternos ou imortais. Mudam, assim como nós mudamos. Eu não penso, nem sinto a vida da mesma forma que há 10 anos atrás. Os outros também não. E é nesta lenta mudança, de cambiantes feita que nem sempre aquilo que nos liga permanece imutável.
E é pena …
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Era uma vez...
Era uma vez uns dinheiritos guardados com muito sacrifício. Humm…também não.
Era uma vez um carro carregado com tralhas para as férias....Também não.
Era uma vez as férias…
Pois…
Qual é a conclusão que se tira?
Eu nunca mais faço planos à frente do frigorífico. A revolta dos electrodomésticos continua cá por casa.
Humpf…
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Certezas
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…e que valeu a pena.
Mário Quintana
Gostava de conseguir viver de acordo com estas certezas. Não vivo. Tenho consciência desse facto e é precisamente por isso que muitas destas palavras fazem tanto sentido.
domingo, 24 de agosto de 2008
Despropositado ou talvez não
E com tanto vento e uma temperatura tão envergonhada para a época já começa a não apetecer coisas geladas. Vai daí que então…saíram uns scones para a mesa do canto.
Scones
225 gr de farinha
40 gr de açúcar
1 ovo batido
1 colher de sopa de manteiga
6 colheres de sopa de leite
1 colher de chá cheia de fermento
1 pitada de sal
Preparação
Peneire a farinha com o sal e o fermento. Junte a manteiga e os restantes ingredientes, misturando tudo rapidamente com as pontas dos dedos, sem amassar. Estenda as bolinhas e coloque-as num tabuleiro pulvilhado. Leve ao forno quente durante 10 a 15 minutos. Sirva quentes com manteiga e compotas.
(receita retirada algures da net)
E modestia à parte até porque são raras as vezes em que o posso afirmar: estavam uma delícia!
domingo, 17 de agosto de 2008
(parêntesis)
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Pé de vento
Podia ser este o meu nome por estes tempos. A tempestade parece já ter passado mas os meus dias passam a voar.
Por um lado o trabalho é mais do que muito, com quase todos os colegas de férias tenho a sorte de herdar tudo o que era berbicacho e batata-quente e ainda recebo como bónus o fecho de 2 projectos até ao final do mês (porreiro, pá!)
Por outro envolvi-me num outro projecto, que se por um lado pode mudar o meu rumo profissional e pessoal, por outro é para mim uma enorme prova de fogo que eu quero muito ultrapassar. Por enquanto consome-me todo e qualquer tempo que consigo arranjar, desde as horas de almoço, passando pelos serões e fins de semana. A minha inspiração, assustada com tanto reboliço e agitação já me avisou que ia também ela tirar férias e que só voltaria depois do fim do mês.
Assim sendo, resta-me tentar chegar ao final do mês com a minha sanidade mental intacta, sim que essa já está avisada para tirar férias só a 30 de Fevereiro…
PS - sou só eu ou o blogger está infernal?
domingo, 3 de agosto de 2008
Samarcanda
No entanto a vida não se compadece de momentos menos bons e por entre estes mares mais agitados cujo rumo vou tentando acertar, o quotidiano prossegue e com ele as rotinas que de mim esperam concretização. Adiante, portanto.
Tive um único professor de filosofia que nos acompanhou durante os 3 anos. Era uma figura peculiar e ainda hoje recordo com saudade as suas aulas. Foi numa dessas aulas que fiquei a conhecer a lenda árabe de Samarcanda.
Segundo a lenda, estava um mercador árabe exercendo o seu mister quando o seu servo mais fiel lhe apareceu muito aflito. Tinha visto a morte junto aos portões de entrada da cidade e esta o fitou muito demoradamente. Angustiado, o mercador que tinha elevada estimada por ele, logo se prontificou a ajudá-lo, disponibilizando o seu melhor cavalo e umas moedas de oiro para que pudesse fugir para longe, para Samarcanda.
No dia seguinte, o mercador encontrou a morte junto ao mercado e a questionou porque tinha olhado tão demoradamente para o seu servo. Esta respondeu que tinha ficado surpreendida por o encontrar ali, já que tinha um encontro marcado com ele em Samarcanda.
Recentemente tive uma reunião numa dada entidade estatal. Lá estava o grande hall, as floreiras e vasos com plantas cujo tamanho denunciava antiguidade. A simpatia da funcionária da recepção contrastava com o minimalismo austero do ambiente. Após uma deselegante e longa espera, fomos finalmente conduzidos por entre corredores labirínticos até à sala onde mais uma vez tivemos de aguardar. Enquanto aguardava mais uma vez ia observando o local e pousei os olhos num poema que alguém tinha escrito com letras recortadas
Agora que o silêncio é um mar sem ondas
E que nele posso navegar sem rumo
Não respondas
às urgentes perguntas que te fiz
Deixa-me ser feliz
Assim
Já tão longe de ti como de mim
Súplica de Miguel Torga
Dei por mim a recordar a lenda de Samarcanda e como certos pensamentos encontram sempre uma forma, por vezes ardilosa de me encontrar. Nem que seja num corredor bafiento escritos a letras recortadas de jornal…

